quarta-feira, 24 de março de 2010

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Geralmente deixados em 2º plano e ofuscados por inúmeras coleções voltadas só para elas, os homens surpreenderam na ultima edição de Casa de Criadores: eles passaram de coadjuvantes a foco principal do evento, graças ao trabalho de estilistas como João Pimenta, Mário Franciso (da Der Metropol) e Danilo Costa.

Enquanto Pimenta continua firme na sua pesquisa da silhueta feminina dentro do guarda-roupa masculino, resgatando tecidos nobres como linho, Costa mostra em sua 2ª coleção dentro do projeto LAB que tem um futuro promissor no evento e um trabalho até superior a algumas marcas que se apresentam na programação oficial da Casa.

Já Francisco se sai bem trazendo um universo ligado à moda de rua com referências na música pop, no esporte e no cinema, sem cair em clichês.

Para entender um pouco mais do universo desses destaques, saber o que os inspira e o que eles pensam sobre moda, veja essa entrevista com eles:

Danilo Costa

- Porque fazer moda masculina?
Danilo Costa - *Pois homem também ama moda, mas precisa se libertar de vícios e de preconceitos, investindo no bom gosto. Sentimento não é um privilégio feminino.

- Para onde a moda masculina caminha?
Danilo Costa - Depende da cabeça de cada um, mas, com o tempo, a preocupação com o vestir será maior.

- Homem de saia é...
Danilo Costa - Se ele conseguir carregar a saia sem ficar afetado , ele é moderno!

- Qual seu ícone de estilo?
Danilo Costa - Luke Worrall, pois consegue ser moderno sem ser afetado ou caricato.

- O diário de quem você gostaria de ler?
Danilo Costa - Não sei.

- O que te faz sentir mais vaidoso?
Danilo Costa
- Fazer casting e trabalhar com modelos quase perfeitinhos me faz ter vontade de ser mais vaidoso.

- A Casa de Criadores inverno 2010 na sua opinião:
Danilo Costa - Realização de vontades e desejos, coragem e muito sentimento.


Mário Francisco, da grife Der Metropol

- Porque fazer moda masculina?
Mário Francisco - Porque meninos também gostam de roupa e de comprar. Porém, a moda masculina é mal explorada. Não existe somente um tipo de menino que gosta de um tipo de roupa. Existe diversidade... Como também existe uma certa resistência dos meninos com alguma coisa que é diferente. Mas aí a questão toda é quebrar a cabeça para fazer algo que tenha alguma informação de moda diferente e consiga atravessar pelo menos um pouco dessa barreira.

- Para onde a moda masculina caminha?
Francisco - Acho que para a diversidade.

- Homem de saia é...
Francisco - Pouco visto e acho que ainda vai ser raro de se ver, ao menos por enquanto, apesar de homens já terem usado saia. No máximo vestem um kilt, mas mesmo assim não vejo a saia como uma peça de roupa que deixa homem atual, se sentindo confortável.

- Qual seu ícone de estilo?
Francisco - Não sei se tenho um ícone de estilo, mas as pessoas que conheço me instigam bastante. Não necessariamente pessoas famosas, mas amigos, conhecidos... O David Pollak (stylist), por exemplo, é um cara que eu admiro. Acho que as bandas de rock inglesas são mestres em estilo e vão muito além da música. Dentro da moda, alguns nomes sempre me chamaram atenção como Pierre Cardin e André Courrèges. Sempre foram nomes que eu admirei.

- O diário de quem você gostaria de ler?
Francisco - Hummm... Na verdade, meus grandes ídolos são todos cantores ou integrantes de bandas que eu ouvia na minha adolescência e, querendo ou não, me influenciaram bastante, principalmente o pessoal do grunge.

- O que te faz sentir mais vaidoso?
Francisco
- O reconhecimento ao meu trabalho, antes de qualquer coisa.

- A Casa de Criadores inverno 2010, na sua opinião:
Francisco - Cada vez mais mostra estilistas e trabalhos diversos. A qualidade, tanto dos desfiles quanto das roupas em sí, tem melhorado a cada edição. Os eventos paralelos são importantes, acho que devem rolar sempre e os desfiles do Lab não deixam nada a desejar se comparados à programação oficial. Além de tudo, a abertura da loja da Casa de Criadores mostra que o evento está cada vez mais forte e já se tornou referência em moda.




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